Crivella se reúne com escolas e confirma corte de verba, mas promete R$ 500 mil da iniciativa privada

Grupo Especial - Rio

Crivella reunido com representantes das escolas e da Liesa – Foto: Edvaldo Reis/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, confirmou nesta segunda-feira, em reunião com os representantes da Liesa e das escolas de samba, que a administração pública vai mesmo cortar em 50% a verba para as agremiações. Mas, em contrapartida, anunciou que buscará, via Riotur, mais R$ 500 mil para cada uma, totalizando R$ 6,5 milhões, junto à iniciativa privada. Não há garantia, porém, da entrada desse dinheiro. Com isso, os valor total para cada escola seria de R$ 1,5 milhão – R$ 500 mil a menos que nos últimos anos.

A verba extra seria viabilizada por meio do caderno de encargos lançado pela Prefeitura. O documento já está com as empresas.

“Queremos dessas empresas muito mais que a instalação de banheiros químicos e alambrados. As negociações já foram abertas e temos recebido um retorno positivo das marcas”, disse o presidente da Riotur, Marcelo Alves.

“Nós estamos sem dinheiro, mas temos talento e criatividade. Nós temos que acreditar. Fiquem tranquilos porque vamos fazer o melhor carnaval de todos os tempos”, disse Crivella, em declaração reproduzida pelo site da Prefeitura.

“Estamos fazendo um esforço grande aqui na Prefeitura para ajudar as escolas. Temos conversado com um monte de gente. Nós vamos conseguir esse patrocínio para as escolas, podem confiar”, afirmou.

Uma nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira, dia 17, quando será assinado o novo acordo.

Pagamentos até novembro

Crivella também anunciou que começará a pagar a subvenção em julho, e que todo o montante será repassado até novembro deste ano.

Este era um pedido antigo das escolas, que muitas vezes desfilavam ainda devendo a fornecedores.

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Entenda o caso do corte de verba

Crivella anunciou que pretende cortar em 50% a verba destinada às escolas de samba para investir em creches. O valor em 2017 foi de R$ 24 milhões, sendo R$ 2 milhões para cada agremiação. Como em 2018 serão 13 escolas no Grupo Especial, a expectativa era que o montante chegasse a R$ 26 milhões. Mas, conforme a Riotur (Empresa Municipal de Turismo do Rio de Janeiro), responsável por organizar a festa, já confirmou, o valor ficará mesmo em R$ 13 milhões.

A Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) anunciou que, sem os R$ 13 milhões, os desfiles ficam inviáveis em 2018, e decidiu suspender as apresentações até que as partes cheguem a um acordo. A entidade espera conseguir um encontro com o prefeito, algo que vem tentando há meses, sem sucesso.

A Riotur disse, em nota, que o Carnaval está garantido e afirmou que vai buscar na iniciativa provada os recursos para as escolas. Mas confirma que as creches são prioridade.

Em resposta, sambistas realizaram um protesto. O grupo se concentrou em frente ao edifício administrativo da prefeitura, na Cidade Nova, e caminhou até a Marquês de Sapucaí.

O prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, se prontificou a ajudar e ofereceu levar os desfiles para a cidade da Baixada Fluminense. “A festa traz receita, movimenta a economia. Tem dinheiro para tudo. Se puder levar a Sapucaí para Caxias, eu banco. Vai dar lucro, traz turistas, é importante para a cidade”, disse Reis ao jornal Extra.

No dia 28 de junho, Crivella recebeu as escolas de samba e ficou decidido que haverá desfile em 2018.

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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