De volta ao Rock in Rio, samba já levou vaia e chuva de copinhos no festival

Mangueira
Reprodução TV Globo
Romulo Tesi
Escrito por Romulo Tesi

O samba vai voltar o Rock in Rio. Na edição deste ano, a organização programou um espetáculo com grandes nomes o gênero, como Alcione, Martinho da Vila e Monarco, para o Palco Sunset, voltado para experimentações e encontros. Hoje aceitado e até cultuado no universo do rock, o batuque já foi vítima de preconceito e da ira dos metaleiros no início da década de 90.

Na segunda edição do festival, no Maracanã, em 1991, o cantor Lobão foi escalado para o mesmo dia 23 de janeiro, de Guns N’ Roses, Queensrÿche, Judas Priest, Megadeth e Sepultura. Diante de milhares de fãs dessas bandas, Lobão pisou no palco para se apresentar. Ou pelo menos tentar.

Diante das vaias, Lobão mandou a banda parar no meio da segunda música, deu um pito no público e saiu de cena.

“Vai tratar mal a p… que te pariu, morô? Vocês vão todos tomar no c…, exceto quem não está tomando no c… Vai tomar no c…, seus babacas”, bradou Lobão antes de deixar o palco, usando palavrões bem comuns no ex-Maior do Mundo.

Reprodução TV Globo

“Vai tomar no c…”: Lobão no Maracanã Reprodução TV Globo

E lá foi a bateria da Mangueira, atração preparada para o fim do show do cantor, levar a batucada para os ouvidos dos roqueiros.

Os pouco mais de 40 ritmistas, na época comandados por Mestre Taranta e vestidos com a fantasia do desfile de 1990, entraram no palco conduzidos por Ivo Meirelles e foram logo recebidos com mais vaias e arremessos de copos de plásticos, moedas e todo tipo de objeto. Ao lado da bateria, Meirelles, que mais tarde presidiria a escola, batia palmas, determinado.

“Parecia um paredão de fuzilamento”, lembrou Lobão anos depois, em 2009, em entrevista ao programa O Estranho Mundo de Zé do Caixão, do Canal Brasil.

“Eu pensava que aquilo (bateria da Mangueira) era metal pesado. Os tambores são de metal, então era metal pesado. Eu queria mostrar aquilo, mas não deu tempo”, contou.

Em 2001, Axl Rose colocou a bateria da Viradouro no palco Mundo do Rock in Rio. A reação foi em menor intensidade, mas os protestos aconteceram, com o público atirando garrafinhas de plástico no palco. Teve gente que simplesmente deu as costas e foi embora.

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

Deixe o seu comentário