Lucinha Nobre pede paz entre torcidas de Portela e Mocidade e defende Tia Surica de piadas

Mocidade Portela
Raphael David/Riotur
Romulo Tesi
Escrito por Romulo Tesi

Depois que as justificativas dos jurados do Carnaval 2017 foram divulgadas, revelando o erro no julgamento de Enredo, a paz acabou nas redes sociais. Sobretudo entre as torcidas da Portela e da Mocidade. Desde então, é fácil ver portelenses e independentes trocando farpas, às vezes de forma agressiva, em posts de Facebook. O clima bélico tem incomodado quem vê o samba como ambiente pacífico.

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“Eu acho muito triste. Está faltando respeito”, diz a porta-bandeira Lucinha Nobre, ao Setor 1.

“No meio do tiroteio”, como ela mesma diz, Lucinha é parte sensível desses tempos de “guerra de provocações”. Ela começou na Mocidade, onde dançou em mais de dez carnavais e, entre idas e vindas, acaba de voltar à Portela. Em Madureira, terá Marlon Lamar como mestre-sala. Com laços fortes nos dois lados, a experiente porta-bandeira lamenta e pede paz aos torcedores.

“Como sambista desde criança, aprendi que as escolas são coirmãs, e por isso não era para ter qualquer celeuma entre as partes, mas infelizmente as pessoas acabam levando muito à flor da pele. No meu Facebook, metade é portelense e a outra metade é independente. Fico no meio do tiroteio”, declara Lucinha, que critica o que chama de falta de respeito com figuras como Tia Surica.

Lucinha e o mestre-sala Marlon Lamar na apresentação do casal na Portela – Foto: Vitor Assis/Facebook da Portela

“As pessoas estão brincando muito com a Tia Surica, que é uma senhora, uma portelense de alma, nascida e criada naquele meio. Ela acaba sendo vítima de muitas gozações. Acho feio. Eu não gostaria que fizessem isso com a minha mãe, por exemplo, e estou triste de ver as pessoas fazendo isso com ela (Surica). Já passou do tom da brincadeira, ficou sem graça”, afirma a irmã de Dudu Nobre.

Tia Surica reza durante apuração de 2017 – Wilton Junior/Estadão Conteúdo

“Vai passar”

Para evitar problemas, a sambista prefere opinar pouco sobre a disputa. E diz que não cai na pilha dos provocadores.

“Tem gente que diz: ‘parabéns, você foi duplamente campeã’, mas eu nem participei de nenhum dos dois carnavais, nem vi os dois desfiles (Lucinha desfilou este ano pela Porto da Pedra), e não posso opinar quem mereceu ganhar ou não. As pessoas me incitam. Fazem um post e me marcam, por exemplo, mas eu estou quietinha no meu canto”, contou.

“É até uma novidade uma rixa entre Portela e Mocidade, mas espero que passe. Tudo passa nessa vida”, concluiu, esperançosa.

Lucinha com Rogerinho na Mocidade em 2014 – Nelson Perez/Riotur

 

 

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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