Morre Guaracy 7 Cordas, baluarte da Velha Guarda da Portela

Grupo Especial - Rio Portela
Romulo Tesi
Escrito por Romulo Tesi

Morreu nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, aos 78 anos, o sambista Guaracy de Castro, o Guaracy 7 Cordas. Ele era baluarte da Velha Guarda da Portela.

Guaracy, que lutava contra um câncer, estava internado no hospital Quinta D’Or, no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, há duas semanas. Ele deixa mulher, três filhos e uma neta.

A família não divulgou informações sobre o velório e o sepultamento.

Leia também:
Portela ganha dois reforços para a comissão de Carnaval
Portela espera conseguir R$ 2 milhões via Lei Rouanet

“Perdemos um grande amigo da Portela e da Velha Guarda. Ele tinha uma disciplina impressionante. Acho que o Guará, como a gente chamava ele, era o retrato perfeito do Paulo da Portela, pois seguia todos os ensinamentos de um bom sambista. Nunca levantou a voz para ninguém. Estamos muito sentidos, porque perdemos um grande aliado do samba e da Portela. Guará era muito querido no meio musical. Meu filho Mauro (Diniz) adorava ele, assim com o Zeca (Pagodinho), que costumava chamar o Guará para tomar um ‘tira-mágoa’, que era geralmente uma cerveja. Lembro que quando ele entrou para a Velha Guarda foi por unanimidade”, lamentou Monarco, companheiro de Velha Guarda e presidente de honra da Portela.

Guaracy é nome dos mais importantes da música brasileira, tendo tocado com gente do porte de Elza Soares e Dona Ivone Lara.

A cantora Teresa Cristina publicou no Twitter uma foto ao lado de Guaracy. Ela lembrou que o portelense a convenceu a cantar no Bar Semente, na Lapa, o que fez com que sua carreira deslanchasse. “Foi ele que sugeriu q eu cantasse no bar semente na Lapa. Assim, mudou a minha vida por completo. Elegante, educado, doce e muito amável”, disse.

Guaracy com a cantora Roberta Sá – Foto: Raphael Perucci/Divulgação

A Portela divulgou um comunicado em que se diz de luto pela morte do sambista. Leia abaixo:

Morre Guaracy 7 Cordas, integrante da Velha Guarda Show da Portela

Sambista acompanhou nomes como Martinho da Viola, Elza Soares e Bezerra da Silva. Ele também era do Conselho Deliberativo da escola

A Portela está de luto. Morreu nesta quinta-feira (27), aos 78 anos, Guaracy de Castro, o Guaracy 7 Cordas, músico da Velha Guarda Show da escola e membro do Conselho Deliberativo. O sambista, que estava internado há duas semanas no Hospital Quinta D’Or, lutava contra um câncer. A família ainda não divulgou informações sobre velório e enterro.

Nascido na comunidade da Boca do Mato, na Zona Norte, logo cedo aprendeu a tocar instrumentos de corda. Iniciou a carreira em programas de rádio e participou de diversos conjuntos regionais. Começou tocando banjo, passou sucessivamente ao cavaquinho, ao violão de 6 cordas e por fim ao violão de 7 cordas, por sugestão do grande Jacob do Bandolim, como detalha o livro “A Velha Guarda da Portela”, de João Baptista M. Vargens e Carlos Monte.

Muito amigo de Candeia e Martinho da Viola (companheiro desde a época da Boca do Mato), acompanhou nomes como Elza Soares, Bezerra da Silva e Dona Ivone Lara, entre outros. Entrou para a Velha Guarda Show em 1994, em substituição a Jorge do Violão, a convite de Osmar do Cavaco. Chegou, ainda, a ter canções de sua autoria gravadas por Elza Soares e Núbia Lafayette.

Outro momento importante na carreira foi a gravação do CD “Tudo Azul” (no ano 2000), com a Velha Guarda da Portela, que gerou uma grande turnê nacional e no exterior com a cantora Marisa Monte. Participou também do documentário “O Mistério do Samba”, de 2008, dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, e produzido por Marisa Monte.

Presidente de honra da Portela e líder da Velha Guarda, Monarco lamentou a morte do bamba. “Perdemos um grande amigo da Portela e da Velha Guarda. Ele tinha uma disciplina impressionante. Acho que o Guará, como a gente chamava ele, era o retrato perfeito do Paulo da Portela, pois seguia todos os ensinamentos de um bom sambista. Nunca levantou a voz para ninguém. Estamos muito sentidos, porque perdemos um grande aliado do samba e da Portela. Guará era muito querido no meio musical. Meu filho Mauro (Diniz) adorava ele, assim com o Zeca (Pagodinho), que costumava chamar o Guará para tomar um ‘tira-mágoa’, que era geralmente uma cerveja. Lembro que quando ele entrou para a Velha Guarda foi por unanimidade.”

Baluarte e pastora do grupo, Tia Surica também exaltou as qualidades de Guaracy. “Viajamos muito pelo Brasil e pela Europa. Era uma pessoa muito boa e um grande músico. É uma grande perda para a Velha Guarda e para o samba. Estou muito triste.” Cavaquinista da Velha Guarda e ex-presidente da Portela, Serginho Procópio lembrou da grande amizade com Guaracy. “É uma perda irreparável. Estamos todos muito tristes, porque o Guaracy era uma pessoa muito querida. Estava sempre sorrindo, disposto a ajudar”.

Para o presidente Luis Carlos Magalhães, a morte de Guaracy é uma “enorme perda para a Portela”. “A Velha Guarda Show da Portela é um patrimônio do samba, da própria Portela e da cultura brasileira, por isso sentimos muito quando um membro do grupo se vai. Lamento muito a morte do Guaracy e me solidarizo com toda a família dele e os amigos. É uma enorme perda para a Portela.” Filha do músico, Luciene de Castro também falou sobre a perda: “Acho que até pode existir um pai tão bom quanto o meu, mas acho que nunca haverá um melhor do que ele. Foi um pai maravilhoso e muito carinhoso, sempre dedicado à família. A Portela era sua grande paixão, além da música.” Guaracy deixa mulher, três filhos e uma neta.

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

Deixe o seu comentário