Paes detona Crivella e denuncia ‘covardia histórica’ por corte de verba

Fora da avenida Grupo Especial - Rio

O portelense Eduardo Paes na Sapucaí em 2012 – Nelson Perez/Riotur

A guerra declarada entre o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e o ex, Eduardo Paes, teve mais um capítulo nesta terça-feira.

Em resposta a um artigo publicado por Crivella no jornal O Globo, Paes publicou um longo texto no Facebook, em que rebate os argumentos do prefeito. E o Carnaval acabou entrando na roda.

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Crivella cita o corte de 50% na verba destinada às escolas de samba como algo positivo de seu curto mandato, em que os recursos da economia de R$ 13 milhões serão investidos em creches. Para Paes, a medida, ao colocar a população contra o Carnaval, é uma “covardia histórica”.

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“O auge é quando o prefeito fala da sua contribuição para o carnaval carioca e comemora a sua ‘sensibilidade’ declarada pela LIESA. Evitei fazer qualquer comentário para não politizar a luta do mundo do samba, mas foi aí talvez o momento em que o prefeito mas mostrou sua incompreensão e desconhecimento em relação a cidade que ele governa. Colocar a população contra o carnaval, dizendo que vai tirar do samba para colocar na educação, é de uma covardia histórica. Para se ter uma ideia, a educação tem um orçamento de mais de 6 bi e estávamos falando de cerca de 10 mi no carnaval. Tirando o aspecto lúdico, de lazer e cultural do carnaval, o prefeito também não entendeu a importância econômica da festa e seus impactos no turismo e o que significa no imaginário mundial o carnaval carioca”, diz Paes (veja o post na íntegra ao final do texto).

Prefeito do Rio, Marcelo Crivella – Renan Olaz/CMRJ

“Escolhas”

Esta não é a primeira vez que o ex-prefeito critica Crivella pela redução da subvenção às escolas de samba. No auge da crise, há cerca de um mês, Paes ressaltou a importância cultural e econômica da festa. “Governar é fazer escolhas. O atual prefeito mostra quais são as suas”, disparou o ex-prefeito portelense.

Nesta terça, as escolas ouviram do presidente da República, Michel Temer, a promessa de apoio financeiro aos desfiles. Com isso, as agremiações devem receber R$ 13 milhões de verbas federais, o que cobriria o déficit aberto após o corte de Crivella. Este, por sua vez, já assinou o acordo para o repasse de R$ 1 milhão, mais a promessa de R$ 500 mil adicionais da iniciativa privada.

O curioso é que a salvação veio justamente de um adversário de Crivella, o deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ), responsável por promover o encontro em Brasília.

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Unidos de Padre Miguel, 2017 – Fernando Grilli/Riotur

Entenda o caso do corte de verba

Crivella anunciou que pretende cortar em 50% a verba destinada às escolas de samba para investir em creches. O valor em 2017 foi de R$ 24 milhões, sendo R$ 2 milhões para cada agremiação. Como em 2018 serão 13 escolas no Grupo Especial, a expectativa era que o montante chegasse a R$ 26 milhões. Mas, conforme a Riotur (Empresa Municipal de Turismo do Rio de Janeiro), responsável por organizar a festa, já confirmou, o valor ficará mesmo em R$ 13 milhões.

A Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) anunciou que, sem os R$ 13 milhões, os desfiles ficam inviáveis em 2018, e decidiu suspender as apresentações até que as partes cheguem a um acordo. A entidade espera conseguir um encontro com o prefeito, algo que vem tentando há meses, sem sucesso.

A Riotur disse, em nota, que o Carnaval está garantido e afirmou que vai buscar na iniciativa provada os recursos para as escolas. Mas confirma que as creches são prioridade.

Em resposta, sambistas realizaram um protesto. O grupo se concentrou em frente ao edifício administrativo da prefeitura, na Cidade Nova, e caminhou até a Marquês de Sapucaí.

O prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, se prontificou a ajudar e ofereceu levar os desfiles para a cidade da Baixada Fluminense. “A festa traz receita, movimenta a economia. Tem dinheiro para tudo. Se puder levar a Sapucaí para Caxias, eu banco. Vai dar lucro, traz turistas, é importante para a cidade”, disse Reis ao jornal Extra.

No dia 28 de junho, Crivella recebeu as escolas de samba e ficou decidido que haverá desfile em 2018.

A Prefeitura acertou pagar R$ 1 milhão para cada escola e se comprometeu a conseguir mais R$ 500 mil da iniciativa privada.

No dia 25 de julho, o presidente da República, Michel Temer, prometeu repassar mais R$ 1 milhão para cada agremiação, cobrindo o corte promovido por Crivella.

Veja o post na íntegra de Eduardo Paes:

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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