Portela desiste de recurso e título fica dividido com a Mocidade

Grupo Especial - Rio Liesa Mocidade Portela
Portela 2017 - Fat Press/Liesa
Romulo Tesi
Escrito por Romulo Tesi

Quase 50 dias depois, o Carnaval 2017 chegou ao fim nesta segunda-feira. A Portela, que havia anunciado que entraria com um pedido na Liesa para anular a plenária que dividiu o título com a Mocidade, desistiu do recurso. Com isso, o primeiro lugar ficará mesmo com as duas escolas.

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No último dia 6, a Portela convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que não desistiria de ser declarada única campeã. Na ocasião, o presidente da escola, Luís Carlos Magalhães, alegou que a votação que dividiu o título, na véspera, não estava prevista no estatuto da Liesa. “O regulamento foi rasgado”, criticou o dirigente. Na mesma semana, a Portela não compareceu às feijoadas de Mangueira e Vila Isabel.

“A história será nosso recurso. A história se encarregará de explicar o carnaval de 2017”, diz a escola em comunicado.

Na nota, a Portela reafirma o inconformismo com a decisão e cita o parecer jurídico da Liesa, contra a divisão, mas prevê que o tal recurso seria negado.

“(…) por entender que o parecer citado – aprovado, repita-se, pela Diretoria da Liga – será mais uma vez ignorado em recursos posteriores, a Portela considera que qualquer medida que venha a tomar em nada acrescentará para a reversão da decisão a ser recorrida, muito menos acrescentará a seu título conquistado pela forma regulamentar.

Da mesma forma, por não desejar que os atuais precedentes prevaleçam, ensejando enxurradas de medidas judiciais, e por considerar que a adoção de tais medidas atingirá ainda mais a credibilidade dos resultados, a Portela, ouvidos seus baluartes e segmentos, decide não buscar a solução da questão fora dos limites da entidade a que pertence, e da qual é uma das fundadoras, e por ser consciente de sua responsabilidade histórica no processo de desenvolvimento dos desfiles das escolas de samba, opta por não contribuir para que a mácula que recai sobre o desfile de 2017 torne-se ainda maior.”, afirma a escola em longo comunicado.

Em entrevista ao Setor 1, Magalhães defendeu mudanças no regulamento, mas para o próximo Carnaval, e explicou a posição da escola.

Com a desistência, a Mocidade tem confirmada sua sexta conquista (1979, 1985, 1990, 1991, 1996 e 2017). A Portela segue como a maior campeã, com 22 estrelas, mas o jejum de títulos sozinha sobe para 47 anos.

Aladim da comissão de frente da Mocidade - Sofie Mentens/Riotur

Aladim da comissão de frente da Mocidade – Sofie Mentens/Riotur

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Falta de Esplendor motivou recurso da Mocidade; entenda

A confusão começou logo após a divulgação das justificativas dos jurados, no dia 3 de abril.

Em sua justificativa, o julgador de Enredo Valmir Aleixo alegou que tirou um décimo da Mocidade porque a escola não apresentou um destaque de chão, chamado “Esplendor dos Sete Mares”, previsto no roteiro – o chamado Livro Abre-Alas.

No entanto, a escola alegou que tal componente constava em uma versão antiga do documento, e que a nova, sem o destaque, foi entregue no prazo certo.

Caso Aleixo tivesse dado nota 10, Mocidade e Portela ficariam com pontuação total empatada, com o desempate, seguindo a ordem sorteada, saindo no quesito Comissão de Frente. Assim, o título ficaria com a escola da Vila Vintém.

Baseada nisso, a Mocidade ingressou com recurso administrativo na Liesa, no dia 22 de março, pedindo a divisão do título e da premiação, o que foi parcialmente acatado. O prêmio em dinheiro, que já foi repassado à Portela, não será dividido.

No dia seguinte à decisão, a Portela alegou que a plenária não estava prevista no regulamento e que entraria com um recurso na Liesa, o que não se confirmou.

Leia abaixo o comunicado da Portela na íntegra:

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, por sua diretoria, vem a público reafirmar seu inconformismo com a decisão da PLENÁRIA datada de 5 de abril último, uma vez que ali foi operada a substituição do rito administrativo estabelecido no regulamento para o carnaval de 2017, e também no Estatuto da LIESA, pela adoção de um critério decisório casuístico que transferira para a PLENÁRIA a função julgadora legitimamente atribuída com exclusividade ao corpo de jurados.

Considera que a referida PLENÁRIA foi inesperadamente investida de tais poderes, sem que tivesse sido previamente convocada para tal função, e, sobretudo, sem que nenhum dos representantes tivesse sequer previamente recebido informações mínimas necessárias ao exame detido do “parecer” que servira de base para que a LIESA, momentos antes, por seu presidente, indeferisse o recurso em pauta. Os membros da PLENÁRIA, uma vez revestidos de um poder decisório de que não dispunham juridicamente, emitiram uma sentença sumária, sem análise, sem estudo, sem aprofundamento de ato tão importante.

A Portela protesta contra a decisão final da LIESA valendo-se, exclusiva e surrealisticamente, do irretocável e indubitável PARECER exarado pela própria Diretoria Jurídica da Liga, e pelo renomado, consagrado e insuspeito jurista Sylvio Capanema, consultor da própria Liga, PARECER este ignorado pela PLENÁRIA que se auto-investiu de poder decisório, não previsto, para encontrar outro resultado diverso daquele saído dos envelopes, trazendo, segundo o próprio PARECER da entidade, insegurança jurídica para os próximos carnavais.

A escola, ao usar o próprio parecer da diretoria da Liga, não acrescenta nem retira um só dos aspectos formais, legais e regulamentares contidos naquela peça que, ao negar – como de fato negou! – provimento ao recurso, buscou salvaguardar a credibilidade dos desfiles, razão pela qual ratifica todas as advertências quanto ao futuro da festa.

Assim sendo, e por entender que o PARECER citado – aprovado, repita-se, pela Diretoria da Liga – será mais uma vez ignorado em recursos posteriores, a PORTELA considera que qualquer medida que venha a tomar em nada acrescentará para a reversão da decisão a ser recorrida, muito menos acrescentará a seu título conquistado pela forma regulamentar.

Da mesma forma, por não desejar que os atuais precedentes prevaleçam, ensejando enxurradas de medidas judiciais, e por considerar que a adoção de tais medidas atingirá ainda mais a credibilidade dos resultados, a Portela, ouvidos seus baluartes e segmentos, decide não buscar a solução da questão fora dos limites da entidade a que pertence, e da qual é uma das fundadoras, e por ser consciente de sua responsabilidade histórica no processo de desenvolvimento dos desfiles das escolas de samba, opta por não contribuir para que a mácula que recai sobre o desfile de 2017 torne-se ainda maior.

A Portela lamenta que seja necessário todo esse “imbróglio” envolvendo a alteração do resultado indicado pelos envelopes dos julgadores, para motivar a discussão sobre uma possível revisão nos critérios de julgamento e no investimento para a qualificação do corpo de jurados, questões que, a partir de agora, em face dos precedentes criados, precisam estar na pauta para o regulamento dos próximos carnavais.

A Portela entende que, acima de tudo, as regras e normas que regem o carnaval precisam ser pautadas pela impessoalidade, uma exigência que, por sinal, está muito além das necessidades do carnaval, sendo uma exigência da sociedade brasileira para todas as instituições que dela fazem parte.

Neste sentido, a Portela propõe que as RESPONSABILIDADES previstas nos futuros regulamentos, diante de novos prejuízos ou transtornos que por ventura venham a acontecer, sejam, de fato, assumidas pelas agremiações, sejam elas quais forem, cumprindo as normas previamente acordadas e, se for o caso, propondo alterações apenas para as regras que vão reger os anos seguintes.

A Portela tem total legitimidade para conjuntamente protagonizar a luta por transparência no carnaval, retomando o papel histórico que seus antepassados assumiram para transformar o desfile das escolas de samba no grande espetáculo que é hoje.

Tem a certeza de que sua comunidade e sua torcida estarão ao seu lado, pois compartilham os mesmos ideais que fizeram da escola uma instituição forte e vencedora. Campeões que são pelo regulamento, pelas regras, sem qualquer suposição sobre notas e alheios à discussão sobre responsabilidades.

A história será nosso recurso. A história se encarregará de explicar o carnaval de 2017.

Salve todos os componentes, a torcida e a comunidade de Oswaldo Cruz e Madureira, baluartes desta conquista que nada será capaz de apagar!

Salve a Portela! Salve a Mocidade! Salve todas as escolas de samba que cumprem seu papel de protagonistas da cultura popular brasileira!

Luis Carlos Magalhães
(Presidente da Portela)

Fábio Pavão
(Presidente do Conselho Deliberativo da Portela)

Leovegildo de Oliveira Pinto
(Diretor jurídico da Portela)

Rio, 17 de abril de 2017

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

Comentários

  • Dois pontos nesta estória me intrigam e quase não foram tocados:

    1° – Como a fantasia da Mocidade fazia parte do enredo e depois não fazia mais? se era parte da descrição do enredo era porque era importante, por que não mantiveram a fantasia no desfile sendo vestida por outra pessoa? A escola deu mais importância a pessoa que iria vestir do que a descrição do próprio enredo em si, quem pagou por isso no final de tudo foi a Portela.

    2° – Definitivamente justificativa não é nota, pode na hora de dar a nota o jurado ter achado que a escola merecia 9,9 sendo que cansado da maratona dos desfiles viu que a maneira mais fácil de justificar a retirada de 1/10 é falando que faltava uma fantasia, quem tem experiência de vida sabe muito bem que isto pode acontecer. A Liesa depois da apuração nunca poderia ter atribuído outra nota diferente da dada pelo jurado.

    • A Mocidade foi a prejudicada claro !! O julgador não pode justificar a perda de pontos com base em um livro desatualizado. A Mocidade cumpriu o regulamento enviando a modificação do enredo dentro do prazo previsto no regulamento da LIESA. Houve um erro de comunicação entre a LIESA e o jurado, ou seja, provavelmente a LIESA não informou ao jurado de tal mudança.

      A Portela também não tem culpa desse erro e acabou sendo declarada campeã no dia da apuração, o que lhe confere direito adquirido ao título. O jurado deixou isto bem claro na justificativa, afirmando que o enredo era fantástico e que só faltou o Esplendor dos 7 mares que fazia parte do enredo. Acontece que a Mocidade retificou seu enredo e tirou este elemento. Se o livro correto fosse entregue a nota seria 10.

      Assim sendo a única forma de reparar este erro é dividindo o título entre Mocidade e Portela.

    • 1- o motivo pelo qual essa ou aquela fantasia foi colocada ou tirada nao é da sua conta e muito menos é relevante para esse debate. É uma obra artistica e os responsaveis pela criação tem total liberdade para , a qualquer momento, mudar alguma coisa. O que importa é o documento final, lá consta o que é que a escola finalmente definiu e apresentará, se teve alteração no meio do caminho isso nao é da tua conta, nem do jurado, nem de ninguem! Nao venha tumultuar o debate com teorias ridiculas de que a Mocidade deveria ter seguido fielmente um ideia. Que besteira!

      2 – Falou bobagem no 1 e falou uma idiotice no 2! Como assim a justificativa nao importa???? Se tirou 1/10 pela ausencia de uma alegoria que não constava do documento final É OBVIO que o julgador cometeu um erro.

      Se vc quer discutir a legitimidade da LIESA para alterar a nota, eu concordo com voce, nao tinha. MAs nao vem com essa tua conversa fiada de que “mudou” e que o jurado “estava cansado” e deu uma “justificativa mais facil”
      NEM A PORTELA QUER SE METER A FICAR DEBATENTO TECNICALIDADE! Assunto encerrado

      • Primeiro não discuto com quem não tem educação, aconselho você a fazer um curso de interpretação de texto só assim você entenderá o que eu quis dizer.
        sem mais amigo.

  • A campeã foi a Portela. Mas pelo menos com essa decisão esdrúxula a realidade fica melhor representada. O bem (Portela) contra o mal (Castor de Andrade despeitado e furioso no inferno). O final da história já foi escrito há milênios. O diabo não é o anti-Deus, mas sim um palhaço do Altíssimo, um escravo do Criador. No livro do profeta Isaías aprendemos que Deus criou o bem e o mal. Com todo o respeito aos integrantes da Mocidade Independente de Padre Miguel e ao belíssimo desfile que realizaram. São sambistas íntegros e profissionais. Eles sabem que a Portela foi a verdadeira campeã em 2017.

    • A Mocidade foi a prejudicada claro !! O julgador não pode justificar a perda de pontos com base em um livro desatualizado. A Mocidade cumpriu o regulamento enviando a modificação do enredo dentro do prazo previsto no regulamento da LIESA. Houve um erro de comunicação entre a LIESA e o jurado, ou seja, provavelmente a LIESA não informou ao jurado de tal mudança.

      A Portela também não tem culpa desse erro e acabou sendo declarada campeã no dia da apuração, o que lhe confere direito adquirido ao título. O jurado deixou isto bem claro na justificativa, afirmando que o enredo era fantástico e que só faltou o Esplendor dos 7 mares que fazia parte do enredo. Acontece que a Mocidade retificou seu enredo e tirou este elemento. Se o livro correto fosse entregue a nota seria 10.

      Assim sendo a única forma de reparar este erro é dividindo o título entre Mocidade e Portela.

  • É lamentável essa decisão de decidir o título. A Portela é a verdadeira campeã. A politicagem manchando mais uma vez os desfiles que a muitos anos tem polêmicas e mais polêmicas.

  • A Mocidade foi a prejudicada claro !! O julgador não pode justificar a perda de pontos com base em um livro desatualizado. A Mocidade cumpriu o regulamento enviando a modificação do enredo dentro do prazo previsto no regulamento da LIESA. Houve um erro de comunicação entre a LIESA e o jurado, ou seja, provavelmente a LIESA não informou ao jurado de tal mudança.

    A Portela também não tem culpa desse erro e acabou sendo declarada campeã no dia da apuração, o que lhe confere direito adquirido ao título. O jurado deixou isto bem claro na justificativa, afirmando que o enredo era fantástico e que só faltou o Esplendor dos 7 mares que fazia parte do enredo. Acontece que a Mocidade retificou seu enredo e tirou este elemento. Se o livro correto fosse entregue a nota seria 10.

    Assim sendo a única forma de reparar este erro é dividindo o título entre Mocidade e Portela.

  • Lies errou em não rebaixar Tijuca e Tuiuti, e em “decidir” dar o título também a Mocidade. Carnaval ficou feio demais. No final das contas os “bastidores” vão sempre falar mais alto. Palhaçada.

  • Uma entidade como a LIESA, que tem no seu histórico diretivo a digital da contravenção carioca não pode ser levada a sério. Para diretoria da LIESA regulamento é um mero protocolo de ocasião.
    Qualquer decisão partindo da direção pode ser qualquer coisa. Ficar discutindo quem está certo ou quem está errado é uma perda de tempo enorme. Eu acho que a Portela percebeu bem isso.

  • lamentavel esta se tornando uma bola de neve os dirigentes jafizeram feio em votar no nao rebaixamento daquelas duas dos carros quebrados regulamento uma oooova acho que liesa perdeu o controle disso ai se e pra ter uma so campea assim seja grande moral ficou a portela e a mocidade implorando pra ser campea ridiculo e muito dinheiro pra muita coferca fiada vvvvaaaaiiiii brasil nessa ai mangueira e a 3 kkkkkkkk

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