Verba para escolas de samba pode sair de empresas estatais

Grupo Especial - Rio

Sérgio Sá Leitão, ministro da Cultura

Os R$ 13 milhões prometidos pelo presidente Michel Temer às escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro devem sair de estatais, na forma de patrocínio. Caixa e Petrobras (que até a crise desencadeada pela Lava Jato fazia aportes na festa) são duas das empresas que fariam os repasses, que poderia ser feitos também via leis de incentivos fiscais – Lei Rouanet entre elas -, segundo o ministro da Cultura, Sergio Sá Leitão.

O ministro, que esteve no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, disse que, por causa do contingenciamento de 43% no orçamento da pasta, vem encontrando dificuldades em encontrar verbas para honrar o pagamento dos editais. Com isso, o dinheiro para as escolas não devem sair do Ministério da Cultura.

A reação de parte da população ao socorro federal às escolas de samba não foi dos mais positivos. Em enquete do Setor 1, mais de 60% dos votantes se posicionaram contra o repasse. O ministro, porém, não se mostra preocupado com a polêmica. Segundo Leitão, não haverá cortes em outras áreas. Além disso, afirma o ministro, há sobra de recursos nas leis de incentivo e as estatais poderiam realizar o investimento como marketing.

A “salvação” para as escolas de samba do Rio foi anunciada no dia 25 de julho, após encontro de uma comitiva de representantes das agremiações com Temer. Os R$ 13 milhões prometidos pelo Governo Federal cobririam o corte de outros R$ 13 milhões da verba da prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo Marcelo Crivella, a diferença dos recursos será investida em creches.

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Entenda o caso do corte de verba

Crivella anunciou que pretende cortar em 50% a verba destinada às escolas de samba para investir em creches. O valor em 2017 foi de R$ 24 milhões, sendo R$ 2 milhões para cada agremiação. Como em 2018 serão 13 escolas no Grupo Especial, a expectativa era que o montante chegasse a R$ 26 milhões. Mas, conforme a Riotur (Empresa Municipal de Turismo do Rio de Janeiro), responsável por organizar a festa, já confirmou, o valor ficará mesmo em R$ 13 milhões.

A Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) anunciou que, sem os R$ 13 milhões, os desfiles ficam inviáveis em 2018, e decidiu suspender as apresentações até que as partes cheguem a um acordo. A entidade espera conseguir um encontro com o prefeito, algo que vem tentando há meses, sem sucesso.

A Riotur disse, em nota, que o Carnaval está garantido e afirmou que vai buscar na iniciativa provada os recursos para as escolas. Mas confirma que as creches são prioridade.

Em resposta, sambistas realizaram um protesto. O grupo se concentrou em frente ao edifício administrativo da prefeitura, na Cidade Nova, e caminhou até a Marquês de Sapucaí.

O prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, se prontificou a ajudar e ofereceu levar os desfiles para a cidade da Baixada Fluminense. “A festa traz receita, movimenta a economia. Tem dinheiro para tudo. Se puder levar a Sapucaí para Caxias, eu banco. Vai dar lucro, traz turistas, é importante para a cidade”, disse Reis ao jornal Extra.

No dia 28 de junho, Crivella recebeu as escolas de samba e ficou decidido que haverá desfile em 2018.

A Prefeitura acertou pagar R$ 1 milhão para cada escola e se comprometeu a conseguir mais R$ 500 mil da iniciativa privada.

No dia 25 de julho, o presidente da República, Michel Temer, prometeu repassar mais R$ 1 milhão para cada agremiação, cobrindo o corte promovido por Crivella.

(Com EBC)

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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