Zicartola será enredo no Rio em 2018

Intendente Magalhães
Romulo Tesi
Escrito por Romulo Tesi

Enquanto Cartola não ganha uma homenagem que seu tamanho merece no Grupo Especial do Rio, as divisões inferiores do Carnaval tratam de levar a vida de um dos maiores sambistas da história para a avenida. Mesmo que não seja a Marquês de Sapucaí. A Lins Imperial, que desfila no Grupo B – a última fronteira antes do Sambódromo, na Estrada Intendente Magalhães -, anunciou nesta segunda-feira o bar Zicartola como enredo da escola em 2018.

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O desenvolvimento do desfile sobre o mangueirense ficará a cargo de uma comissão formada pelo diretor de carnaval Flávio Mello e os carnavalescos Tiago Ribeiro e Claudio Fontes.

Em resumo, o Zicartola foi um restaurante criado por Cartola e sua mulher, Dona Zica (daí o acrônimo “Zicartola”) em 1963, onde o talento dela na cozinha seria o grande chamariz. Mas o sobrado da Rua da Carioca, número 53, no Centro do Rio, foi muito mais que isso. O local atraiu um sem número de grandes, imensos sambistas. Gente da parte funda piscina, como dizem, que aparecia para fazer o que sabiam de melhor: samba.

Paulinho da Viola foi revelado no Zicartola. Elton Medeiros estava sempre lá, assim como Aracy de Almeida, Nelson Cavaquinho, Hermínio Bello de Carvalho, Clementina de Jesus, Ismael Silva, Zé Keti e mais um monte de gente que seu eu for falar, hoje eu não vou terminar. (Fora o pessoal da bossa nova, como Nara Leão, e gente influente, como o jornalista Sérgio Cabral, pai do ex-governador do Rio). Para saber mais, sugiro o vídeo do pessoal do canal Paratodos sobre o bar, que teve até uma versão paulista.

O Zicartola fechou em 1965, no ano seguinte ao início da ditadura militar. Mas o legado do bar é maior que qualquer Copa do Mundo ou Olimpíada.

Em 2011, quando fez o enredo sobre Nelson Cavaquinho, a Mangueira homenageou o Zicartola – e consequentemente Dona Zica e Cartola -, levando desfilando com um carro sobre o bar, que ainda era citado no samba de enredo daquele ano.

Carro sobre o Zicartola, com esculturas de Cartola e Dona Zica, no desfile da Mangueira de 2011 – Foto: Nelson Perez/Riotur

A escola fará uma festa de lançamento do enredo com entrega da sinopse aos compositores para o dia 18 de junho, às 14 horas. O local não foi divulgado. (Clique aqui para saber mais)

Para quem quiser ver: a Lins Imperial, que tem como cores os mesmos verde e rosa da Mangueira, é a 9ª escola a desfilar na terça-feira de Carnaval, dia 13 de fevereiro, na Intendente Magalhães.

Este ano, no Grupo C, a Lins Imperial homenageou um sambista, levando o vice-campeonato e acesso ao Grupo B com o enredo sobre o Monarco.

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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