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Aliado das escolas de samba, Bruno Covas aumentou verba, cortou impostos e foi apontado como exemplo para o Rio

Bruno Covas e as baianas da Rosas de Ouro
Bruno Covas e as baianas da Rosas de Ouro – Foto: Léo Franco

Após anos de luta contra um câncer no sistema digestivo, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, morreu neste domingo, 16, na capital paulista, aos 41 anos. A doença foi diagnosticada em 2019, pouco mais de um ano depois do tucano, vice, assumir o posto que era de João Doria, que se lançou ao governo estadual.

Com a morte de Covas, o Carnaval paulistano perde um aliado, que, desde que tomou posse, se aproximou das escolas de samba, cortou impostos e garantiu o apoio financeiro que esteve ameaçado no primeiro ano da administração Doria.

Pelo lado das escolas, o apoio sempre foi aberto, desde os primeiros dias de gestão até às eleições do ano passado, quando as agremiações mobilizaram suas comunidades e declararam seus votos a Covas. Mesmo comportamento foi visto durante a luta do prefeito contra o câncer. A cada notícia sobre o estado de saúde do prefeito, as agremiações publicavam em seus perfis nas redes sociais mensagens de apoio.

Enquanto teve condições, antes da pandemia de Covid-19 paralisar as atividades carnavalescas, Covas frequentou quadras, ensaios e eventos da Liga SP, inclusive nas apurações, construindo a imagem de amigo do Carnaval e das escolas – tratado exatamente assim na mensagem de condolências publicada pela entidade.

“Hoje nos despedimos de Bruno Covas, prefeito de São Paulo e grande amigo do Carnaval paulistano. A Liga-SP presta condolências aos familiares neste momento de dor e expressa gratidão pela parceria construída nos últimos anos”, escreveu a liga.

Enquanto a folia de rua crescia, tornando-se uma das maiores festas do país, Covas manteve o apoio às agremiações que desfilam no Anhembi. O prefeito chegou a aumentar o valor da subvenção – chamada pela prefeitura de cachê – em 8,3% para 2020.

O investimento total foi de R$ 35 milhões. No caso do Grupo Especial, a subvenção subiu de R$ 1.181.546,88, em 2019, para R$ 1.280.618,31 em 2020 para cada agremiação. Houve também repasses para os grupos de acesso.

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Para 2021, Covas acompanhou de perto as conversas para possibilidade, não concretizada, da realização dos desfiles fora do Carnaval. A prefeitura previa um orçamento de R$ 33 milhões, mas os repasses foram suspensos após investigação do Ministério Público. O MP entendeu que, sem desfiles, a verba não deveria ser destinada às agremiações, que mantiveram o trabalho do barracão dentro do possível.

Ainda assim, o comportamento de Covas contrastava com o do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que realizava cortes de verba e discursava contra os desfiles. Não por acaso, em uma reação no mínimo curiosa, a gestão paulistana chegou a ser tratada como exemplo para o Rio, cidade que inventou os desfiles.

Também em fins de 2019, o prefeito sancionou uma lei (17.245) para isentar as escolas e entidades organizadoras do Carnaval do pagamento de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). O projeto de lei, que também concedeu perdão dívidas, multas e juros de ISS (Imposto sobre Serviços), é de autoria dos vereadores Celso Jatene (PL) e Milton Leite (DEM) – este, presidente da Câmara, ligado à Estrela do Terceiro Milênio e influente na Liga SP.

Para se ter uma ideia da força de Leite, no início do mandato de Doria, em 2017, o vereador convenceu, segundo informações de bastidores, o prefeito a desistir da redução de verba para as escolas, na mesma época que Crivella anunciava o surpreendente corte de verba no Rio.

“Continuaremos trabalhando incansavelmente por São Paulo tendo agora mais uma motivação: honrar e homenagear Bruno Covas, bem como todo amor e dedicação que ele sempre teve para com a nossa cidade”, declarou Leite em nota de pesar.

Homenagem

Na quadra da Rosas de Ouro, uma escada de acesso ao palco recebeu em 2019 o nome de Bruno Covas. A homenagem, que na época foi alvo de comentários jocosos em grupos de Whatsapp e redes sociais, é uma pequena amostra da proximidade do prefeito com o samba, e de como as escolas tratavam o tucano. E as homenagens não devem se restringir à escada da Rosas.

Covas e a presidente da Rosas de Ouro, Angelina Basílio, posam ao lado da escada na quadra da escola que recebeu o nome do ex-prefeito
Covas e a presidente da Rosas de Ouro, Angelina Basílio, posam ao lado da escada na quadra da escola que recebeu o nome do ex-prefeito – Foto: Léo Franco

A escola foi, inclusive, uma das primeiras a se pronunciar neste domingo, após a notícia da morte de Covas.

“Desde que assumiu a prefeitura, Bruno foi um entusiasta do carnaval paulistano, sendo presença constante nos eventos das escolas de samba. Visitou nossa quadra em algumas oportunidades, sempre demonstrando carinho, respeito e admiração pelo pavilhão azul e rosa. Enviamos nossas sinceras condolências ao seu filho Tomáz, e os demais familiares, amigos e admiradores de Bruno, que lutou bravamente pela vida. Descanse em paz Bruno Covas!”, publicou a Rosas no Instagram.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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