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Beija-Flor anuncia título de enredo com temática antirracista; Neguinho faz desabafo

A Beija-Flor anunciou neste domingo, 7, o título do enredo da escola para o Carnaval de 2021: “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”.

Em live no Instagram, a carnavalesca Bianca Behrends, da comissão de Carnaval da agremiação, confirmou que o enredo é engajado, em defesa da cultura negra e igualdade. A sinopse ainda não foi divulgada, mas a escola promete revelar mais detalhes nos próximos dias.

Bianca se emocionou durante a live, onde conversou com a porta-bandeira Selminha Sorriso e o intérprete Neguinho da Beija-Flor.

“Nós temos até hoje uma questão de escravidão social”, afirmou Bianca, que promete um desfile político.

“Não estamos falando de posicionamento político-partidário, mas o posicionamento político, de um movimento sobre aquilo que não podemos aceitar”, declarou Bianca. “Devemos nos posicionar, sim”, completou.

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O cantor fez um desabafo. Ele relatou que fará uma live no próximo dia 29, data do seu aniversário, mas que está com dificuldades de conseguir patrocínio. Segundo ele, a cor da pele pesa.

“Se eu fosse o Branquinho da Beija-Flor, já estaria coberto de patrocínio”, disse o cantor.

Recentemente, a cantora Teresa Cristina fez declaração semelhante após conseguir o primeiro patrocínio da carreira – no caso, para uma live promovida por uma marca de cerveja. “Sou invisível de 1998”, declarou Teresa, que tem feito lives “lotadas” no Instagram durante a pandemia, com participações de novos talentos e nomes consagrados da música brasileira.

Neguinho da Beija-Flor – Foto: Reprodução/Facebook

Selminha exaltou a importância do enredo no atual momento do mundo e da chance do próprio negro contar sua história. A porta-bandeira contou que tinha a princesa Isabel como heroína, e que mudou de opinião após conhecer o contexto da assinatura da Lei Áurea. “Nós aprendemos a história contada pelos brancos”, disse.

O anúncio foi feito na esteira dos protestos antirracismo em vários países, principalmente nos EUA, após a morte de George Floyd, negro, por um policial branco na cidade norte-americana de Mineápolis.

“Nossa Deusa da Passarela, cuja voz ecoa em samba pelo mundo, ouve de volta o chamado por igualdade”, publicou a agremiação nas redes sociais.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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