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Clementina de Jesus é o enredo da Mocidade Alegre em 2021

Clementina de Jesus – Divulgação

Clementina de Jesus será o enredo da Mocidade Alegre em 2021. O anúncio foi feito na noite desta quinta-feira, 12, no que foi o primeiro tema oficialmente divulgado do Grupo Esepcial de São Paulo para o próximo Carnaval.

A escolha do enredo, além da importância cultural, é oportuna: em 2021, completam-se 120 anos da sambista, que morreu em julho de 1987, aos 86 anos.

O carnavalesco Edson Pereira, que renovou com a escola, ficará responsável pelo desenvolvimento do enredo. O artista terá o privilégio de realizar em 2021 desfiles sobre dois nomes de peso da música brasileira: Clementina em São Paulo, e Martinho da Vila na Vila Isabel.

Martinho foi um dos convidados pela Mocidade para gravar depoimentos no vídeo que a escola publicou sobre a Quelé nesta quinta. Alcione (enredo da Morada em 2018), Andrezinho do Molejo e Milton Cunha são outras personalidades do samba que participam do filme, com imagens e fotos da homenageada.

A neta de escravos Clementina de Jesus da Silva foi a responsável por, já em meados da década de 1960, fazer o Brasil conhecer, ou lembrar, uma parte importante – e fundadora – da música brasileira, com raízes fincadas na cultura africana.

Com voz grave e pele escura, Clementina era a própria personificação das antigas matriarcas do samba. Isso numa época em que o Brasil era tomado pelo som elétrico da Jovem Guarda e da indústria cultural.

Trabalhando como empregada doméstica e cantando em bares, Clementina foi descoberta – ou quase isso – por Hermínio Bello de Carvalho. O produtor musical, que dedicou boa parte da vida a dar voz a tantos sambistas, lançou a cantora para o que era na época o grande público. Ela já tinha 63 anos.

A partir daí, gravou cinco álbuns, que servem de registro da música de um tempo ancestral, do tempo dos 60 anos anteriores de Quelé. Como últma missão, fez parte do trio do disco “O canto dos escravos” (1982), com Tia Doca e Geraldo Filme, que entrega exatamente o que diz o título: as músicas cantadas pelos negros escravizados, acompanhados somente por atabaques, agogôs, ganzás e outros instrumentos de percussão. Coisa do tempo dos avós de Clementina, uma griô em pleno século 20.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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