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Com título que remete à Imperatriz 2015 e Daniel Alves, Rocinha anuncia enredo sobre preconceito

Rocinha 2019

A Acadêmicos da Rocinha divulgou nesta quarta-feira o título e o logo do tema do desfile da escola no Carnaval 2019. E ele é crítico, seguindo a atual moda entre as agremiações do Rio.

Batizado como “Bananas para o preconceito”, o enredo sugere – a escola não deu muitos detalhes – que vai usar a fruta para criticar o racismo. O desfile levará a assinatura do carnavalesco Júnior Pernambucano, que publicou um texto sobre a proposta (leia mais abaixo). A sinopse, segundo artista, sairá “em breve”.

O título parece retirado do samba da Imperatriz de 2015 (“Axé Nkenda! Um Ritual de Liberdade”), que tratava do combate ao preconceito racial tendo como figura homenageado o líder sul-africano Nelson Mandela.

O trecho em questão é o verso “uma ‘banana’ para o preconceito”, inspirado no episódio em que o jogador brasileiro Daniel Alves, alvo de racismo por torcedores rivais, comeu uma banana atirada contra ele em um jogo do Barcelona. Veja abaixo:

Texto publicado pelo carnavalesco Junior Pernambucano:

Tatuagem emocional. Tudo está marcado por entre células. A cor impressa na pele denuncia nossa etnia, sinaliza onde está fincada nossa raiz, revela nossa cultura matriz. Cor da pele retrata histórias, resgata memórias, nos permite transportar afetivas tradições como fruto duma longa trajetória.

Discriminar povos pela cor da pele é algo irracional. Arremessar bananas aos irmãos negros como se este ato racista fosse uma grande ofensa não deve mais gerar abalo emocional. Pois segundo estudos científicos baseados na teoria evolucionista iniciada pelo famoso inglês naturalista Charles Darwin, o ser humano faz parte da superfamília de peludos primatas. Macacos e humanos têm um parente ancestral em comum.

Darwin tinha razão. Hoje está provado que geneticamente somos idênticos a saltitantes chipanzés apreciadores de bananas. Embora todos os homens sejam iguais perante leis determinadas pela evolução das espécies, ainda há quem sofra na pele, por pura ignorância alheia, intoleráveis atos preconceituosos. Neste tema-enredo Rocinha entra na luta antirracismo valorizando atitudes afirmativas no sentido de que cidadãos negros se imponham enquanto agentes transformadores, reconheçam seu próprio valor e desenvolvam sua autoestima.

No tabuleiro da baiana tem?… Bananas lançadas para o preconceito! Carnaval é cenário propicio para embananar qualquer realidade. Eis porque nossa banana dada tomará a forma reafirmativa da identidade negra manifestada através da dança, da música, artes cênicas, dos esportes, dos místicos rituais, do cotidiano urbano vivido principalmente nas favelas… Do majestoso legado cultural deixado pelos escravos, que embora vivessem em condições degradantes, não esqueceram sua negra nobreza trazida na pele desde África.

Ouça abaixo o samba da Imperatriz de 2015, de autoria de Zé Katimba e parceiros:

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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