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CPI da Covid: Mandetta nega que Bolsonaro tenha pedido cancelamento do Carnaval; governistas relacionam festa à pandemia

Luiz Henrique Mandetta
Mandetta fala à CPI da Covid no Senado – Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Carnaval foi lembrado por pelo menos por três senadores no depoimento do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na CPI da Covid, nesta terça-feira, 4.

Questionado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE), governista, sobre a folia de 2020, em fins de fevereiro, Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não fez qualquer pedido para que o Carnaval fosse cancelado.

Na sexta-feira véspera do início da folia, primeiro dia de festejos, o país tinha um caso suspeito de Covid, sem notícia de que tenha sido confirmado.

O primeiro caso de coronavírus foi confirmado pelo Ministério da Saúde no dia 26 de fevereiro, na Quarta-Feira de Cinzas, depois do Carnaval.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou pandemia de Covid-19 em 11 de março de 2020. No dia 13 do mesmo mês, o Brasil tinha 107 casos confirmados da doença. 

“A gente seguia nesse momento as recomendações da OMS. A OMS não mandou fechar voos da China. As feiras de negócios continuaram a acontecer. Expressamente ela dizia que não era para fazer restrição de movimentação. Não havia nenhuma caso de registrado no Brasil, estávamos sob efeito de vigilância, o mundo estava ainda andando”, disse Mandetta.

O ex-ministro lembrou ainda que esteve, em fins de janeiro de 2020, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e observou que os presentes não usavam máscaras e álcool em gel.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), também aliado do governo, questionou Mandetta sobre uma possível relação do aumento de casos de Covid-19 no Brasil ao Carnaval, e lembrou que o Ministério da Saúde havia anunciado emergência em saúde pública no dia 3 de fevereiro.

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“Acredito que seja desnecessário perguntar se era ou não prudente realizar o Carnaval diante daquele quadro”, disse Rogério.

Mandetta reafirmou o que havia respondido a Girão e acrescentou que “o Brasil é um continente”, ao comentar que mesmo o possível impacto do Carnaval seria relativo. O ex-ministro lembrou ainda que não havia caso confirmado no país, e o restante do mundo desconhecia de forma profunda o perfil do coronavírus.

Jorginho Mello (PL-SC) repetiu a pergunta, questionando se “não foi um erro não ter suspendido do Carnaval”.

Mandetta, já demonstrando impaciência, voltou a citar as orientações da OMS na época e disse: “a gente já comentou isso três ou quatro vezes”.

O ex-ministro completou dizendo que outras atividades na época da festa também causavam aglomeração e poderiam ter impacto, inclusive as religiosas.

“Pode ter tido impacto? Claro que sim. Assim como jogos de futebol, finais de campeonato, academias, reuniões familiares, igrejas, cultos de massa. As pessoas pensam no Carnaval, é uma festa profana, mas existe muita gente que faz os agrupamentos de igreja, os agrupamentos evangélicos, os agrupamentos católicos… Enfim, aquele feriado é um tempo em que as pessoas se apropriam”, disse Mandetta.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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