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Curso conta história de grandes carnavalescos e aproxima desfiles das escolas de samba da arte brasileira

Os desfiles das escolas de samba são um campo autônomo e fundamental da história da arte brasileira e devem estar inseridos no mesmo contexto das demais manifestações artísticas. É esse o tema central do curso “Escola de samba: estética em desfile – Visualidade e conceito na criação dos carnavalescos”, fruto de uma parceria entre o Carnavalize e a Revista Caju.

As aulas, via Zoom, a partir de 28 de setembro, serão ministradas pelos curadores e historiadores da arte Leonardo Antan, do Carnavalize, e Daniela Name, da Revista Caju.

Serão quatro aulas, sendo que, em cada uma, dois carnavalescos que aturam no mesmo período, mas com visões diferentes do Carnaval, terão seus trabalhos analisados. A ideia é aproximar o universo carnavalesco de outras linguagens artísticas, traçando uma “rede de referências, narrativas e apontamentos sobre os nomes abordados”, conforme explica o texto de apresentação do curso.

Antan ressalta a importância de “enxergamos os desfiles das escolas de samba como uma manifestação artística e cultural da maior importância, que reúne diversos tipos de saberes”. O curador e editor do Carnavalize, mestre em História da Arte, diz que aulas vão “abrir um panorama para pensar grandes carnavalescos, relativizando algumas verdades cristalizadas e até alguns clichês já relacionado a eles. Buscando ainda pensar uma estética e uma linguagem muito própria das escolas de sambas e como cada artista lidou com ela”.

Serviço:
Curso “Escola de samba: estética em desfile – Visualidade e conceito na criação dos carnavalescos”
Aulas online pela plataforma Zoom
Dias 28 e 29 de setembro; 05 e 06 de outubro, às 19:30
Investimento: R$ 207 (Há descontos para estudantes)
Link para inscrição: https://www.sympla.com.br/escolas-de-samba-estetica-em-desfile__963093

Veja a programação:

Aula 1  – Dia 28 de setembro, 2a feira, 19h30 –  Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona (Anos 60)
A primeira aula mapeia a revolução salgueirense por meio de seus dois principais idealizadores. O período marcou uma transformação definitiva na estrutura dos desfiles, transformando-os em produtos da cultura de massa carioca. De um lado, o forte caráter discursivo que Fernando Pamplona reuniu em torno de si, assumindo a visão mais conhecida da história. Do outro lado, o foco será a trajetória de Arlindo Rodrigues, responsável pelo cortejo seminal da década; Xica da Silva, no Acadêmicos do Salgueiro, em 1963. 

Aula 2 – Dia 29 de setembro, 3ª feira, 19h30 -Joãosinho Trinta e Maria Augusta (Anos 70)
Herdeiros do grupo de artistas formado na Revolução Salgueirense, Joãosinho Trinta e Maria Augusta são responsáveis por uma disputa que buscou definir os rumos estéticos na década que deu sequência ao processo de espetacularização e crescimento dos desfiles.
Em uma parte da aula, o “luxo do brilho” de Joãosinho Trinta promoveu uma série de inovações nas narrativas e no aspecto visual do período. Na segunda parte, o “luxo da cor” de Maria Augusta propôs um outro caminho estético para a festa ao abordar enredos abstratos e uma estética pautada em elementos cotidianos na União da Ilha do Governador. 

Aula 3 – Dia 5 de outubro, 2ª feira, 19h30 – Fernando Pinto e Luiz Fernando Reis (Anos 80)
Na década de 1980, um ponto de virada decisivo na trajetória das escolas de sambas foi a chegada de enredos “sociais” e “políticos” que versaram sobre o processo de redemocratização após o período ditatorial. Na primeira parte do encontro, recontamos a trajetória de Fernando Pinto, o artista marcado pela herança tropicalista e da contracultura carioca dos anos 1970. Quem também brilhou no carnaval da época foi Luiz Fernando Reis. Na Caprichosos de Pilares, o carnavalesco desenvolveu enredos de forte cunho crítico, dialogando com seu contexto e apostando em carnavais que se destacavam por sua mensagem bem sinalizada.

Aula 4 –  Dia 6 de outubro,3ª feira, 19h30 – Renato Lage e Rosa Magalhães (Anos 90 aos anos 2000)
A última aula chega na rivalidade entre dois nomes que marcou a década de 1990, apontando os estilos que constituíram uma memória artística das mais simbólicas da festa. Na primeira metade da conversa, um passeio pelo imaginário de Rosa Magalhães e seus inesquecíveis carnavais na Imperatriz Leopoldinense. No outro ponto, chegaremos ao estilo particular que Renato Lage desenvolveu na Mocidade Independente de Padre Miguel.

SOBRE OS MEDIADORES

LEONARDO ANTAN é historiador da arte, curador e escritor. Graduado e mestre em História da Arte pela UERJ, onde pesquisou a linguagem artística dos desfiles das escolas de samba. É editor do projeto multi-plataforma Carnavalize, que realiza eventos voltado à história do carnaval. Integrou o coletivo curatorial “Dia de Glória’’, em parceria com a Casa de Estudos Urbanos. Cursou Imersões Curatoriais no Paço Imperial, onde curou coletivamente a exposição “Limiares”. No carnaval, já atuou como aderecista em escolas como Unidos da Tijuca e Portela, além de fazer parte da criação do desfile da Unidos das Vargens. Como curador, realizou ainda de exposições na Casa de Estudos Urbanos, Museu da História e da Cultura Afro-brasil, Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica e no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea. Entre as exposições estão “Uma delirante celebração carnavalesca: o legado de Rosa Magalhães” e “O rei que bordou o mundo: poéticas do carnaval da Acadêmicos da Cubango”. Na área literária, é editor do Selo Carnavalize, que pertenceu a Rico editora, voltado para publicação de obras sobre a folia brasileira. Além de já ter publicado dois romances e antologias de ficção LGBT+ pelo Se Liga Editorial.

DANIELA NAME é curadora e crítica de arte. Doutora em Comunicação e Cultura e mestre em História e Crítica da Arte, ambos os títulos pela UFRJ, atua como curadora independente e editora e curadora-geral da Caju, plataforma que reúne a Revista Caju e a Caju Conteúdo e Projetos. É autora dos livros “Amélia Toledo – Forma Fluida” (2015), “Almir Mavignier” (2014) “Norte”, sobre a obra do artista Marcelo Moscheta (2013) e “Espelho do Brasil – Arte popular vista por seus criadores” (2008). 

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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