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Destruído por incêndio, Museu Nacional da Quinta foi enredo da Imperatriz em 2018

Consumido por um incêndio de grandes proporções na noite deste domingo, 2, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, em São Cristóvão, foi o enredo da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval de 2018.

Embalada por um samba aclamado como um dos melhores da safra, a escola contou na Marquês de Sapucaí a história de 200 anos da primeira instituição científica do Brasil. O desfile, desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues, mostrou os vários usos do edifício, que serviu de moradia para a família real, e também ressaltou a importância do acervo de 20 milhões de peças. A imperatriz Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I, que batiza a agremiação, foi uma das incentivadoras da criação do museu.

“Uma grande parte da história desse país destruída pelo fogo. Estou destruído emocionalmente. Convivi meses ao lado de pessoas apaixonadas por esse museu, pessoas que cuidavam dessa instituição como se fosse sua própria casa”, escreveu Rodrigues em seu perfil no Instagram, lamentando a tragédia.

A letra do samba menciona vários itens importantes do acervo, como Luzia, fóssil mais antigo já descoberto no Brasil, o meteorito Bendegó (com mais de 5 toneladas) e a coleção do Egito, mas também fala dos primeiros moradores da monarquia e a finalidade atual do grande terreno no entorno, a Quinta da Boa Vista, que serve de área de lazer. A Imperatriz chegou a realizar um ensaio no local.

Um incêndio de grandes proporções destrói o Museu Nacional – Marcelo Fonseca/Estadão Conteúdo

O museu foi fundado em 1818, por D. João VI, primeiro no Campo de Santana, no Centro, depois na Quinta, e é uma das heranças da passagem da família real portuguesa pelo Brasil, então capital do reino. Atualmente, a instituição está ligada à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O palácio da Quinta foi a residência da família imperial até 1889, na queda da monarquia e consequente proclamação da República. O museu se instalaria no prédio em 1892.

Veja abaixo fotos do desfile:

Abre-alas da Imperatriz trazia uma réplica do prédio do Museu Nacional – Fernando Grilli/Riotur
Carro alegórico com esculturas de ossadas de dinossauros – Raphael David/Riotur
Carro alegórico com temática egípcia – Raphael David/Riotur
Destaque de chão da Imperatriz – Paulo Portilho/Riotur
Maria Helena e Chiquinho, ex-casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz, antes do desfile da escola em 2018 – Romulo Tesi

A Imperatriz terminou o Carnaval 2018 em 8º lugar. Ouça o samba e veja a letra abaixo:

Gira coroa da majestade
Samba de verdade, identidade cultural
Imperatriz é o relicário
No bicentenário do Museu Nacional

Onde a musa inspira a poesia
A cultura irradia o cantar da Imperatriz
É um palácio, emoldura a beleza
Abrigou a realeza, patrimônio é raiz
Que germinou e floresceu na colina
A obra-prima viu o meu Brasil nascer
No anoitecer dizem que tudo ganha vida
Paisagem colorida deslumbrante de viver

Bailam meteoros e planetas
Dinossauros, borboletas
Brilham os cristais
O canto da cigarra em sintonia
Relembrou aqueles dias que não voltarão jamais

Voa tiê, tucano e arara
Quero-quero ver onça pintada
Os tambores ressoaram, era um ritual de fé
Para o rei de Daomé
Para o rei de Daomé

A brisa me levou para o Egito
Onde um solfejo lindo da cantora de Amon
Ecoa sob a lua e o sereno
Perfumando a deusa vênus sem jamais sair do tom
Marajó, Carajá, Bororó
Em cada canto um herdeiro de Luzia
Flautas de chimus e incas
Sopram pelas grimpas linda melodia
A luz dourada do amanhecer
As princesas deixam o jardim
Os portões se abrem pro lazer
Pipas ganham ares
Encontros populares
Decretam que a Quinta é pra você

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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