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Enredos que amamos (e ainda não vimos): Festa da Penha

Qualquer um que ame o Carnaval e as escolas de samba já deve ter passado pela situação de ouvir ou ler alguma história e pensar: isso dá enredo.

Acontece sempre com este blogueiro, talvez semanalmente. Por isso aproveito para lançar um espaço no blog para enredos que amamos e gostaríamos de ver – amanhã, se possível -, mas ainda não vimos. Tem sugestões? Escreva nos comentários.

Num dia dessas epifanias, sonhei em um desfile sobre a Festa da Penha.

Sou suspeito para falar, pois fui criado no bairro, do qual guardo uma memória afetiva (e seletiva, claro) da infância livre nas ruas sem saída (para os carros) do IAPI.

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Eu fecho os olhos e imagino o desfile tomando a Sapucaí: a Igreja da Penha, a escadaria, o lagarto, a serpente, os sambistas, os pagadores de promessa, a polícia, o Complexo do Alemão, a linha do trem, a Rua dos Romeiros… O recorte eu deixo com os carnavalescos.

No 2º Grau (atual Ensino Médio) no Liceu de Artes e Ofícios, no Centro, onde fiz o técnico em Publicidade, eu e amigos criamos o que seria um logotipo de uma escola de samba do bairro. Dei o nome de Lagarto da Penha.

(Não entendeu por que enfiei o lagarto e a serpente na história? O pessoal do site da basílica da Penha explica: “A segunda ermida surgiu após a fundação da Fazenda Grande ou de Nossa Senhora da Ajuda, na freguesia de Irajá, no Rio de Janeiro. Tudo começou no início do século XVII, por volta do ano de 1635, quando o Capitão Baltazar de Abreu Cardoso ia subindo o Penhasco (grande pedra) para ver as suas plantações, uma vez que era proprietário de toda a área no entorno do atual Santuário. De repente foi atacado por uma enorme serpente. Baltazar, que era devoto de Nossa Senhora, quando se viu só e incapaz de se defender, pediu socorro a Nossa Senhora gritando: “Minha Nossa Senhora, valei-me!”. Nesse preciso momento surgiu um lagarto inimigo das serpentes, e travou-se uma luta mortífera entre os dois animais. Baltazar por sua vez, não perdeu tempo e fugiu”.)

ATUALIZAÇÃO

Depois que publiquei o texto, o leitor Hércules Souza lembrou que a Festa da Penha já foi enredo da Grande Rio em 1981. No Grupo 2A, o equivalente hoje à Série B, ela foi citada no enredo “As grandes festas do Rio nas quatros estações do ano”. Ou seja: faz muito tempo e pouca gente deve ter visto. Depois de 36 anos, festa e o bairro já mudaram muito. A data redonda dos 200 anos passou em 2016, mas não precisa de gancho uma festa que já foi a segunda em importância na cidade. Só perdia justamente para o Carnaval.

Ouça o samba da Grande Rio de 1981:

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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