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Império Serrano desfilará com samba de Gonzaguinha no Carnaval 2019

O Império Serrano vai inovar em 2019. Mas não sem uma previsível polêmica.

A escola anunciou nesta quinta-feira que o tema para o próximo Carnaval será a música “O que é, o que é?”, de Gonzaguinha (“Viver e não ter a vergonha de ser feliz”). A proposta ousada é do carnavalesco Paulo Menezes, que trocou a Vila Isabel pela agremiação de Madureira.

Um pequeno texto publicado no perfil imperiano no Facebook explica a proposta e faz o anúncio que deve causa controvérsia: a escola vai usar também o eterno clássico da MPB como samba-enredo no desfile. Com isso, o Império não fará disputa para escolher seu hino, deixando de fora a tradicional ala de compositores.

Nos últimos dias, a notícia circulou pelas redes sociais e aplicativos de conversa, e houve quem não só se pronunciasse contra, como duvidasse da informação de que a otimista e solar música de Gonzaguinha fosse mesmo usada como samba oficial.

A polêmica, porém, deve se limitar ao universo do povo do samba. A música de Gonzaguinha é um hino absoluto, cantado a plenos pulmões e às vezes com lágrimas nos olhos das pessoas quando executado. Logo, na avenida e na pré-folia é possível que conquiste quem não acompanha Carnaval o ano todo.

A escola não divulgou detalhes do enredo e nem quem e como será feita a adaptação para a levada mais acelerada dos desfiles.

Uma curiosidade: “O que é, o que é?” é do álbum “Caminhos do Coração”, de 1982, ano do último título da escola, com o clássico “Bumbum, paticumbum, prugurundum”. Em 2108, o Império ficou em último, mas foi salvo por uma virada de mesa liderada pela Grande Rio – que também deveria cair – com a ajuda de políticos influentes.

Resta saber o que os jurados vão achar.

Leia abaixo o texto publicado pelo Império no Facebook.

E a Vida?
e a Vida o que é diga lá, meu irmão?”

Alguma vez você parou para se perguntar sobre isso? Acreditamos que sim.
Seria a Vida somente existir? Seria ela somente amar, trabalhar, criar, acumular e vencer ou seria somente sofrimento e dor?
Seria alegria ou lamento? Seria luta e prazer?
Seria tudo isso junto ou não seria nada disso?
A pergunta nos pega de surpresa. Nos faz parar para pensar, nos obriga a refletir.
Seria a Vida uma aventura? Se for, sinta, ame, ria, chore, brinque, ganhe, perca, tropece, mas levante-se e siga em frente. Sempre!
E o que você faz da sua Vida? Pois ela é você quem faz, as decisões são suas. É o seu querer que define o que você será!
Faça dela um frenesi, uma ilusão, um sonho, mas transforme tudo isso em realidade, sem medos! Afinal, ela pode tomar diferentes rumos, mas é você que escolhe como vai encará-los.
Agora tomem um tempo para pensar o que é a Vida para vocês, pois para nós, o Império Serrano, é nunca perder a alegria,
é renovar a fé no mundo e nas pessoas.
Para nós, viver é cantar, cantar, cantar … e nunca ter vergonha de ser feliz!
Para nós a Vida é bonita, é bonita e é bonita!

Viradouro

A ideia do Império Serrano para 2019 não chega a ser totalmente original.

Em 2015, a Viradouro, de volta ao Grupo Especial, mesclou duas músicas de Luiz Carlos da Vila para o enrendo “Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça”.

No caso, a escola juntou partes de “Por Um Dia de Graça” e “Nas veias do Brasil”, cuja letra tem um empolgante “ôôôô”, mantido na versão do desfile, para a preocupação de alguns por conta do canto em coro na avenida – e que vale nota.

Viradouro 2015 – Marco Antônio Cavalcanti/Riotur

Naquele ano, a Viradouro levou três notas 10 e um 9.9, descartado por ser a menor.

O jurado Clayton Fábio Oliveira justificou a retirada do décimo com críticas ao casamento entre letra e melodia, e ainda citou problemas nos versos de Luiz Carlos da Vila.

“A letra da primeira estrofe tem frases pouco caprichadas. As rimas ‘além mar’, ‘espalhar’, ‘a terra e ao mar’, ‘veio juntar’ são redundantes. Isso se repete em ‘pra ser muito mais Barsil’, ‘ôô… Brasil’. O coro final ‘ôôô… Brasil não se afina com a qualidade da melodia”, escreveu.

No entanto, foi em harmonia que a Viradouro foi mais despontuada. A escola teve três 9.7 e um 9.8, deixando pelo caminho, contando com o desconto, oito décimos, que ajudaram no rebaixamento para a Série A – fora a chuva torrencial que caiu sobre a região do Sambódromo bem na hora do desfile.

Ouça abaixo o samba da Viradouro de 2015 e as músicas de Luiz Carlos da Vila:

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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