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Júri exalta letra de Gonzaguinha, mas não poupa Império Serrano por melodia e canto embolado

Império Serrano na avenida em 2019 – Fernanado Grilli/Riotur

A adaptação de “O que é, o que é”, clássico absoluto de Gonzaguinha, para o desfile no Sambódromo não deu certo. Pelo menos na opinião dos jurados de Samba-Enredo.

As justificativas das notas, divulgadas nesta quinta-feira pela Liesa, revelaram que os quatro julgadores não pouparam a melodia do samba apresentado no domingo de Carnaval na Sapucaí. No total, a escola deixou um ponto inteiro no quesito, integralmente pelas “canetadas” na melodia. A letra de Gonzaguinha ganhou pontuação máxima de todos.

As notas de samba-enredo são divididas em duas: letra e melodia, com o máximo de 5 para cada uma.

Em geral, principal crítica se deu pela dificuldade de canto em determinados trechos. Versos como “Você diz que é luta e prazer/ele diz que a vida é viver/Ela diz que o melhor é morrer, pois amada não é e o verbo sofrer” ficaram embolados quando cantados no andamento de um desfile de escola de samba, acima dos 140 bpm (batidas por minuto).

“O canto embolado alijou o público de cantar essa parte, apesar de ser samba bem conhecido”, escreveu o jurado Felipe Trotta, que foi o autor da melhor nota para o Império no quesito Samba-Enredo: 9,9, sendo 4,9 na melodia.

Acelerado

Quem tirou mais pontos da melodia da obra apresentada na avenida foi Alfredo Del Penho: 9,6, com 4,6 para a melodia.

Del Penho escreveu uma longa explicação para justificar sua nota, apontando de forma detalhada os erros.

“Nem todo samba é samba-enredo ou poderia ser ‘transformado’ em samba-enredo. Nem toda música mantém sua qualidade se tiver seu andamento original acelerado”, escreve o jurado, resumindo na introdução a sua justificativa.

Gonzaguinha: música ‘O que é, o que é?’ foi usada como samba-enredo pelo Império Serrano – Reprodução

Del Penho lembra que o samba-enredo é cantado por 75 minutos, e não apenas por cinco, como as pessoas estão acostumadas a ouvir – e eventualmente cantar – a obra de Gonzaguinha. Com isso, diz o julgador, alguns componentes simplesmente deixavam de cantar certos trechos.

O jurado ainda aponta falta de síncope em determinadas partes e pobreza de variações rítmicas, com repetições de notas.

Não “explodiu”

Clayton Fábio Oliveira lembra ainda que, apesar da popularidade da música de Gonzaguinha, os componentes não se mostraram animados no canto a partir da metade do desfile.

“O uso de uma canção muito conhecida menos empolgou e mais amorteceu o canto dos componentes”, escreveu Oliveira, que deu nota 9,8, sendo 4,8 para a melodia.

Já Eri Galvão, além de apontar os mesmos problemas de dificuldade de canto, criticou o uso de um baião na terceira parte do samba. Galvão deu nota 9,7, sendo 4,7 para a melodia.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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