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Liesa busca parceiro para venda de ingressos em junho na internet e aposenta fax

Carnaval Rio 2020 - Mangueira - Cezar Loureiro | Riotur

Um dos mais célebres memes da turma do samba está com os dias contados. O fax, até 2019 utilizado na comercialização de ingressos para os desfiles do Sambódromo, será finalmente aposentado para o (possível) Carnaval de 2022.

“Não vai ter fax, com certeza absoluta”, garante o diretor de Marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, ao Setor 1.

Empossado há pouco mais de um mês na gestão do novo presidente Jorge Perlingeiro, Gabriel pilota um projeto que pretende modernizar a comunicação da liga, que passará por um processo de branding em sua marca, e aumentar o faturamento destinado às escolas de samba.

Para isso, uma das primeiras medidas é começar a venda de ingressos em junho, pela internet e em pontos físicos, com várias formas de pagamento disponíveis, contando com um parceiro para a comercialização.

“A operação vai ser terceirizada. Estamos na fase final de escolha da empresa. Abrimos uma concorrência e ainda há duas empresas [na disputa]. Estamos para finalizar esse processo nas próximas semanas, para depois começar o planejamento de vender os ingressos a partir de junho”, explicou Gabriel.

“Quem vai facilitar mais para o cliente final, quem vai tomar menos dinheiro de taxa da liga, quem vai deixar mais dinheiro disponível para as escolas e qual é o prazo de recebimento desses valores. Esses são os pontos de negociação que a gente olha para tomar a decisão sobre a parceira”, lista, comentando uma atividade que gera em média R$ 60 milhões por ano para a liga e agremiações.

Gabriel David, Beija-Flor
Gabriel David no desfile da Beija-Flor de 2020 – Instagram pessoal

Internet

Venda de ingressos pela internet não é bem uma novidade para a Liesa. Só que somente parte dos bilhetes eram comercializados, o que, segundo Gabriel, representa menos de 10% do faturamento de bilheteria. E, portanto, pouco atrativo para parceiros.

Até mesmo os camarotes, que tocam suas vendas de forma paralela, teriam a operação submetida à Liesa, num primeiro momento apenas para controle.

“Vai gerar mais receita, e a gente ganha um poder de negociação com mais contrapartidas para o Carnaval e as escolas”, afirma Gabriel, que não vislumbra um reajuste nos preços, a princípio.

“Geni”

Em 2019, mesmo com a operação pela internet, 800 das quatro mil reservas de frisas realizadas no primeiro dia de vendas foram feitas por fax, modelo de atendimento que é motivo de brincadeiras na comunidade do samba. Em contato com o blog na ocasião, o coordenador de venda de ingressos da Liesa, Heron Schneider, saiu em defesa do fax.

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“É preciso e inviolável. Nunca tivemos problema de fraude”, contou. Ele explicou ainda que por força de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Liesa com o Ministério Público, o critério para reserva de frisas é cronológico – ou seja, a preferência se dá por ordem de chegada. No sistema digital, a alta procura congestionou os servidores, dificultando as reservas.

“O fax é a Geni do Carnaval”, brincou Schneider na época, fazendo referência ao personagem alvo da ira e preconceito das pessoas no musical “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque.

Contrato do Sambódromo

A ideia de disparar as vendas em junho depende, porém, de um acerto com a prefeitura pela utilização da Marquês de Sapucaí. Tradicionalmente, os contratos com a administração municipal são assinados anualmente. A ideia é fazer acordos com prazo maior, de cerca de três anos, o que, diz Gabriel, dará mais segurança à liga e aumentará o poder de negociação.

Marquês de Sapucaí
Sambódromo da Marquês de Sapucaí em 2019 – Richard Santos/Riotur

O dirigente vê na gestão do prefeito Eduardo Paes um ambiente favorável para a mudança, e prevê que na próxima semana as conversas devem avançar.

Depois de assinar o contrato, a liga pretende iniciar a venda de ingressos acompanhada de uma divulgação que faça barulho, para turbinar as vendas e fazer o dinheiro chegar às escolas mais cedo do que o comum em outros pré-Carnavais.

Divulgação

“Pensamos primeiro em um plano de comunicação muito mais eficaz para o início das vendas. Nossa intenção é arrecadar mais no lançamento, ou seja, ter mais dinheiro para as escolas de samba num curto período de tempo”, diz. Começando antes, os desfiles ficarão mais baratos – essa é a previsão. Mesmo em tempos pandêmicos.

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“Acredito que em junho a gente tenha um momento um pouco melhor e uma visão mais concreta do futuro”, completa. Inclusive sobre a possibilidade de não haver desfiles pelo segundo ano seguido. O que fazer?

“A gente não está tão preocupado em ter Carnaval em fevereiro. A gente está mais preocupado em gerar receitas para as escolas e produtos que elas possam vender, desfilando ou não. A economia do Carnaval precisa sobreviver, essa é a minha maior preocupação”, alertou.

Liesa quebrada

Enquanto isso, os trabalhadores da folia aguardam a prometida ajuda da prefeitura. Paes chegou a anunciar o lançamento de editais específicos para o setor, mas somente o Carnaval de rua foi contemplado.

Segundo Gabriel, a Liga não tem dinheiro para ajudar as escolas.

“Hoje o trabalhador do Carnaval está 100% dependendo da prefeitura, e amaria que a Liesa pudesse fazer mais coisas, só que a gente pegou uma liga completamente quebrada”, conclui.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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