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Vila Isabel repudia pergunta sobre milícia feita a Martinho da Vila no Roda Viva: ‘suspeita delirante’

Martinho da Vila

A Vila Isabel se pronunciou nesta quarta-feira, 18, contra a pergunta feita a Martinho da Vila pela apresentadora Vera Magalhães, no programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira, 16. Na ocasião, Vera questionou o sambista sobre a relação das agremiações com milicianos, especificamente o ex-PM Adriano da Nóbrega e a própria Vila Isabel. A pergunta motivou uma série de críticas nas redes sociais à jornalista.

Em nota publicada no Twitter, a Vila Isabel repudiou o questionamento e disse que “é leviano e deseducado impor ao artista, com toda sua história, a pergunta que embute especulação e suspeita delirantes. A jornalista foi insensível, causando tristeza e indignação aos telespectadores, fãs e vilisabelenses”.

“Martinho, produtivo aos 83 anos, merece ser celebrado por sua arte múltipla, em músicas, telas e livros. Gênios com ele ajudam nosso povo a cruzar períodos difíceis como o atual, mantendo viva a beleza e a crença em dias melhores”, continua o comunicado da agremiação, que terá o próprio Martinho da Vila como enredo da escola no desfile do Carnaval previsto para 2022.

Ao ser questionado no Roda Viva sobre o avanço da milícia nas escolas de samba, Martinho afirmou desconhecer tal ligação.

“Não tenho notícia da milícia dirigindo uma escola de samba, miliciano dirigindo escola de samba. Na Vila Isabel, por exemplo, não tem esse problema”, disse o compositor.

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Logo após a pergunta, defensores do sambista criticaram o questionamento nas redes sociais, alegando falta de respeito com o artista e impertinência do tema, já que Martinho não ocupa cargo na direção da escola, apesar de ser presidente de honra. Alguns críticos da jornalista alegaram que tal pergunta deve ser direcionada aos dirigentes da escola.

Por outro lado, Vera Magalhães afirmou no Twitter que Martinho desviou da pergunta. Ela também também recebeu o apoio de defensores, principalmente jornalistas, que ressaltaram o direito da profissional fazer formular perguntas aos entrevistados, ainda que incômodas. A apresentadora, no entanto, apagou a postagem.

A jornalista também citou reportagem da “Época”, de fevereiro de 2020, que relata a atuação de Adriano da Nóbrega – morto no mesmo mês, em operação policial na Bahia – na reconfiguração do poder nas escolas de samba.

Filho se pronuncia

Entre os críticos da jornalista estava Tunico da Vila, filho de Martinho.

“Ele não desconversou… Ele só não quis conversar porque realmente é um assunto desnecessário e desrespeitoso com ele… Só isso… Nada demais”, escreveu Tunico, também sambista, no Twitter.

Vera respondeu: “Não vejo desrespeito algum. Nem todas as perguntas numa entrevista são agradáveis, infelizmente. De resto, respeito sua opinião. Um abraço”.

Leia a nota da Vila Isabel na íntegra:

“A Unidos de Vila Isabel repudia com veemência o ato desrespeitoso da jornalista Vera Magalhães, no programa “Roda Viva” da TV Cultura, diante de nosso Presidente de honra, Martinho da Vila, submetido ao questionamento de um suposto envolvimento de milicianos com a escola.

Ícone da música brasileira e um dos grandes nomes da nossa cultura, Martinho será homenageado como próximo enredo que a agremiação levará à Marquês de Sapucaí. É leviano e deseducado impor ao artista, com toda sua história, a pergunta que embute especulação e suspeita delirantes.

A jornalista foi insensível, causando tristeza e indignação aos telespectadores, fãs e vilisabelenses.

A diretora da azul e branca reitera que em tempos tão obscuros, as escolas de samba se mantêm como a maior manifestação cultural do Brasil, geradora de desenvolvimento social, econômico e humano. A melhor e mais profunda forma de apresentar nosso país.

Martinho, produtivo aos 83 anos, merece ser celebrado por sua arte múltipla, em músicas, telas e livros. Gênios com ele ajudam nosso povo a cruzar períodos difíceis como o atual, mantendo viva a beleza e a crença em dias melhores.’

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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