Portela ergue bandeira contra xenofobia com enredo sobre judeus nordestinos rumo a Nova York

Grupo Especial - Rio Portela
Romulo Tesi
Escrito por Romulo Tesi

Um dia depois divulgar um teaser e fazer mistério, a Portela anunciou nesta quinta-feira seu enredo para 2018. No próximo Carnaval, a Águia vai contar a saga dos judeus que deixaram a Europa durante a Inquisição, se estabeleceram no nordeste do Brasil e, depois da expulsão dos holandeses, em 1654, foram para a América do Norte.No caso, para Nova York, ainda chamada de Nova Amsterdã.

A atual campeã quer mostrar a importância desses judeus nordestinos, sobretudo pernambucanos, na formação da cidade norte-americana.

A ideia é falar de xenofobia e intolerância em tempos de crises migratórias, num mundo onde o presidente dos EUA, Donald Trump, se coloca abertamente contra os povos migrantes.

“A partir dessa aventura a Portela deixará sua mensagem humanitária contra a discriminação, a perseguição religiosa e toda sorte de ataque à diversidade dos povos”, diz a escola em comunicado divulgado no início da noite desta quinta.

Luís Carlos Magalhães, presidente da Portela, com a carnavalesca Rosa Magalhães – Foto: Fábio Fabato

O enredo já tem nome: “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”. O desfile da atual campeã será assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães. A sinopse será entregue no próximo dia 14.

No vídeo divulgado ontem (veja aqui), sob o som de um ritmo nordestino e arte sertaneja, imagens davam dicas das referências usadas no enredo: mapas, navios antigos, movidos à vela, e um trecho do poema “The New Colossus”, da autora judia norte-americana Emma Lazarus, do século 19: “Give me your tired, your poor, Your huddled masses yearning to breathe free (Dá-me teus exaustos, teus pobres, tuas confusas massas que por ar livre anseiam)”. O poema está gravado em uma placa de bronze na Estátua da Liberdade, cartão postal dos EUA que também aparece no vídeo portelense e que recebia os imigrantes que chegavam à Nova York. O poema é sobre estes e a estátua, inclusive.

Emma Lazarus

A saga narrada no enredo portelense é contada no livro “Caminhos cruzados: a vitoriosa saga dos judeus do Recife no século XVII : da expulsão da Espanha à fundação de Nova York”, de Paulo Carneiro. O curioso é que Emma Lazarus e os judeus do enredo da Portela têm a mesma origem na Península Ibérica (Portugal e Espanha, sefarditas).

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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