Corte de verba ameaça realização de ensaios técnicos

Grupo Especial - Rio

Ensaio técnico da Mangueira – Alexandre Macieira/Riotur

Ainda não está confirmado, mas é possível que as escolas de samba não realizem os ensaios técnicos no Sambódromo em 2018. A ideia é economizar.

Nesta segunda-feira, em reunião com os representantes das agremiações e da Liesa, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, confirmou o corte de 50% da verba para as escolas. Com isso, o valor da subvenção cai de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão.

O alcaide garantiu buscar mais R$ 500 mil junto à iniciativa privada. Mas o dinheiro não é certo, e depende da disposição das empresas. Segundo a Riotur, há negociações avançadas.

Não é um consenso ainda sobre os ensaios. A Liesa diz que, a princípio, só ocorrerão se a entidade conseguir patrocínio. A Mangueira já anunciou que não participará, o mesmo valendo para o Réveillon. Segundo a Liesa, o gasto para a realização dos ensaios é da ordem de R$ 4 milhões.

Já a Portela prefere esperar. “Fica muito difícil”, disse o presidente da escola, Luís Carlos Magalhães, ao Setor 1. “Mas vou viver um dia de cada vez”, completou o dirigente, adiando a decisão.

Caso os ensaios técnicos não ocorram, o planejamento da Riotur pode ser prejudicado. Isso porque a empresa de turismo do município pretendia usar o evento para fazer testes de segurança. Até uma simulação de acidentes havia sido pensada para a ocasião.

Os ensaios técnicos são considerados muito importante pelas escolas do Grupo Especial e da Série A. É o momento de realizar diversos teste de harmonia e evolução, detectar problemas e serve como um bom termômetro das agremiações. Acontecem nos meses que antecedem os desfiles e têm entrada franca. Alguns ensaios são feitos com a Marquês de Sapucaí lotada.

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Entenda o caso do corte de verba

Crivella anunciou que pretende cortar em 50% a verba destinada às escolas de samba para investir em creches. O valor em 2017 foi de R$ 24 milhões, sendo R$ 2 milhões para cada agremiação. Como em 2018 serão 13 escolas no Grupo Especial, a expectativa era que o montante chegasse a R$ 26 milhões. Mas, conforme a Riotur (Empresa Municipal de Turismo do Rio de Janeiro), responsável por organizar a festa, já confirmou, o valor ficará mesmo em R$ 13 milhões.

A Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) anunciou que, sem os R$ 13 milhões, os desfiles ficam inviáveis em 2018, e decidiu suspender as apresentações até que as partes cheguem a um acordo. A entidade espera conseguir um encontro com o prefeito, algo que vem tentando há meses, sem sucesso.

A Riotur disse, em nota, que o Carnaval está garantido e afirmou que vai buscar na iniciativa provada os recursos para as escolas. Mas confirma que as creches são prioridade.

Em resposta, sambistas realizaram um protesto. O grupo se concentrou em frente ao edifício administrativo da prefeitura, na Cidade Nova, e caminhou até a Marquês de Sapucaí.

O prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, se prontificou a ajudar e ofereceu levar os desfiles para a cidade da Baixada Fluminense. “A festa traz receita, movimenta a economia. Tem dinheiro para tudo. Se puder levar a Sapucaí para Caxias, eu banco. Vai dar lucro, traz turistas, é importante para a cidade”, disse Reis ao jornal Extra.

No dia 28 de junho, Crivella recebeu as escolas de samba e ficou decidido que haverá desfile em 2018.

Sobre o autor

Romulo Tesi

Romulo Tesi

Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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