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Jurado vê ‘exagero no tom de denúncia’ em enredo da Mangueira

Comissão de frente da Mangueira – Gabriel Nascimento/Riotur

O enredo “História para Ninar Gente Grande” da Mangueira só não levou 10 de um jurado, Artur Nunes Gomes. O julgador deu 9,9 para a escola no quesito, e justificou sua nota pelo o que chamou de “exagero no tom de denúncia, utilizando linguagem visual antagônica (…) ao espírito carnavalesco”.

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No desfile campeão de 2019, o carnavalesco Leandro Vieira levou para a avenida personagens que foram esquecidos ou apagados da chamada História oficial, entre eles indígenas.

Em sua justificativa, divulgada nesta quinta-feira pela Liesa, Gomes cita justamente como um dos exemplos o segundo carro, que mostrava o genocídio indígena e levava caveiras ensaguentadas compondo, pelas palavras do julgador, “grande parte” da alegoria.

Caveiras ensanguentadas de alegoria da Mangueira – Oscar Liberal

O jurado também cita o último carro, composto por grandes livros cenográficos e que tinha como destaque a jornalista Hildegard Angel, cujo irmão Stuart foi morto pela ditadura militar brasileira.

Justificativa do jurado Artur Nunes Gomes, de Enredo – Reprodução/Liesa

A mesma alegoria levava elementos que representavam corpos mortos na parte de baixo do carro, sob personagens tidos como protagonistas da História oficial. A forma como o carnavalesco questionou o heroísmo de figuras como Duque de Caxias e José de Anchieta, porém, não caiu no gosto de Gomes.

Corpos do último carro da Mangueira citados pelo jurado Artur Nunes Gomes – Acervo Pessoal

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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