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Império Serrano repudia uso de ‘Aquarela Brasileira’ em manifestação bolsonarista

Silas de Oliveira, Império Serrano
Silas de Oliveira, autor de “Aquarela Brasileira”/Reprodução

O Império Serrano repudiou o uso do samba-enredo “Aquarela Brasileira” em manifestação bolsonarista no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 7, feriado de Dia da Independência.

Em vídeo publicado no Twitter, manifestantes aparecem na orla de Copacabana cantando o samba de Silas de Oliveira, executado por ritmistas ao lado de um carro de som. O ato foi marcado por pautas antidemocráticas, e entre as reivindicações estavam pedidos de intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Veja o vídeo:

Em resposta, o Império Serrano publicou no Twitter, nesta quarta-feira, 8, uma mensagem dirigida ao grupo bolsonarista que executou o samba no ato de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, acusando os manifestantes de se apropriarem da obra.

“Aos que se apropriaram de ‘Aquarela Brasileira’ em atos antidemocráticos ontem, só um lembrete: o Império Serrano é resistência, a voz da democracia e dos excluídos! A minha história já fala por mim! #VaiPassar“, postou o perfil da escola de samba de Madureira.

Na terça, dia dos protestos, o Império já havia publicado um trecho da letra de “Eu quero”, samba da escola do Carnaval de 1986, de autoria de Aluísio Machado. A letra, de teor político, listava as reivindicações dos brasileiros logo após o fim da ditadura militar.

Me dá, me dá
Me dá o que é meu
Foram vinte anos
Que alguém comeu

“Eu quero”, samba-enredo do Império Serrano de 1986, de Aluísio Machado, Jorge Nóbrega e Luís Carlos do Cavaco

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Várias manifestações pró-Bolsonaro foram registradas pelo país no feriado. O presidente participou de dois: em Brasília e em São Paulo, onde fez o discurso com ameaças golpistas mais enfáticas. Na avenida Paulista, Bolsonaro disse que não cumprirá mais nenhuma decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes.

“Maravilha de cenário”

“Aquarela Brasileira”, de 1964, é considerado um dos melhores sambas de enredo da história do Carnaval. A escola ficou na quarta colocação, mas entregou uma obra eterna, um clássico absoluto da música do país, cantado até hoje. A letra exalta as belezas do Brasil citando regiões e cidades e suas características mais marcantes.

Vejam essa maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista, num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela

Trecho de “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira

E o autor da obra, Silas de Oliveira, integra o panteão dos maiores poetas do gênero, se não o maior, autor de mais de 10 obras do Império que foram para a avenida. Entre eles o engajado “Heróis da Liberdade”, do Carnaval de 1969, durante a ditadura militar. Silas também se notabilizou pelos chamados “sambas de meio de ano”, como o clássico “Senhora Tentação”, gravado por Cartola.

Romulo Tesi

Romulo Tesi Jornalista carioca, criado na Penha, residente em São Paulo desde 2009 e pai da Malu. Nasci meses antes do Bumbum Paticumbum Prugurundum imperiano de Aluisio Machado, Beto Sem Braço e Rosa Magalhães, em um dia de Vasco x Flamengo, num hospital das Cinco Bocas de Olaria, pertinho da Rua Bariri e a uma caminhada do Cacique de Ramos, do outro lado da linha do trem. Por aí virei gente. E aqui é o meu, o nosso espaço para falar de samba e Carnaval.

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